Sunday, October 11, 2015

Comunista de Rolex


É preciso deixar claro para as pessoas desavisadas que existe uma gritante diferença entre um mendigo e um socialista, por mais que certas pessoas, que não fazem uso do seu intelecto, pensem em se tratar da mesma coisa, ou até mesmo desejem que de fato fosse a mesma coisa, vale ressaltar que mendigos são (em sua maioria) vítimas do sistema capitalista, já os socialistas, na pior das hipóteses, lutam contra as falhas desse sistema injusto. Aliás, esse velho papo de “Ah, você é comunista? Então dê tudo o que é seu para os pobres!” tem muito mais a ver com o cristianismo do que com o socialismo, até porque a sugestão é na verdade atribuída a Jesus Cristo (Mateus 19:21) e não aos marxistas.

Bom, meio que já falamos um pouco sobre isso lá no post “O mito da relação Socialismo X Evolução Tecnológica”, mas não custa lembrar que foi a URSS o único país que em apenas duas décadas, saltou de um capitalismo precário para a conquista do espaço com os seus cosmonautas. Os satélites foram inventados pelos soviéticos, sem isso não haveria o serviço do Global Positioning System (GPS). Imagina se os amantes do capitalismo deixarem de usar os seus GPS por pura birra ideológica? Tudo o que se produz é feito através do trabalho e isso não depende de sistema algum, precisamos trabalhar para criarmos coisas e nenhum sistema funciona sem o trabalho. Os sistemas de dominação não criam as coisas, apenas se apropriam dos meios de produção. A sociedade de hoje não precisa do capitalismo para produzir iPhones ou relógios do tipo Rolex, assim como a sociedade do século 19 não precisava da escravidão para produzir café.

Pessoas de pouca inteligência acham que tudo que existe é fruto do capitalismo e nós devemos ser gratos. Não preciso nem me alongar mais com relação ao trabalho, pois o trabalho existe sob qualquer sistema e é justamente o trabalho que produz as coisas. Já procuramos nas obras de Karl Marx, por exemplo, alguma possível parte em que se afirma que os comunistas devem viver como nos tempos das cavernas. Ainda não achamos nada parecido, se é que existe. Na verdade o comunismo não priva homem algum do poder de se apropriar de produtos criados pela sociedade. Tudo o que ele faz é priva-lo do poder de subjulgar o trabalho de outros através de tal apropriação (citada no parágrafo anterior), isso fica evidente no Manifesto Comunista. Todo cidadão e cidadã deve fazer uso de tudo aquilo que julgar necessário, principalmente vindo honestamente através do suor do seu trabalho. Socialistas usam tudo, desde escadas a computadores, todas as ferramentas necessárias devem ser usadas. Aliás é essa a ideia do comunismo, que o acesso à bens materiais e educação seja para todos e não apenas para uma pequena parcela da população.

Comunistas não veem marcas ou glamur (coisa de fetichista), e sim objetos. Não faz sentido algum querer jogar basquete em uma partida de vôlei, portanto querer usar valores capitalistas para julgar o comunismo é absolutamente ilógico. São sistemas muito diferentes e ninguém vive isolado dentro de uma sociedade, assim se o país é capitalista, todas as dinâmicas sociais e econômicas serão baseadas no sistema capitalista, se o país for socialista, o mesmo se aplica. Quem ama marcas e “valores agregados” são os CONSUMISTAS e não os COMUNISTAS, para estes tudo se resume a ferramentas. Vejamos, por exemplo, que um vegetariano tem livre acesso a outros alimentos, e assim ele pode escolher o que comer dentro da sua dieta (ou até mesmo sair dela!). Já um comunista não tem outra opção dentro do sistema capitalista, ele não pode viver sob um “socialismo individual”, isso não existe. Ideias valem mais do que meras ferramentas de efêmero uso.

Monday, September 28, 2015

"O homem é o lobo do homem"


O homem é o lobo do homem, ou seria o homem é o lobo do homem ruivo? Não entendeu? Então leia o texto até o fim! Talvez ainda haja a ilusão de que a espécie humana, teoricamente considerada mais evoluída, capaz de raciocinar e estando no topo da cadeia alimentar, pudesse se relacionar bem com o seu meio; mas tudo isso não quer dizer absolutamente nada, pois à medida que o ser humano evolui, ele acaba por se desumanizar cada vez mais, e tomado por fúria torna-se o mais cruel predador da sua própria espécie. É possível que ainda nem tenhamos nos tocado mas já somos vítimas de nós mesmos. Vejamos: O individualismo é estimulado pelo capitalismo, que se baseia em crescentes lucros, e os lucros ocorrem quanto há cada vez mais consumo. Devemos entender o “consumismo” como a aquisição de bens totalmente desnecessários para o ser humano, bem como a criação de falsas necessidades. Além de não se satisfazer, o indivíduo acaba por gerar mais lixo e demandar mais exploração de recursos naturais não renováveis.

O consumismo inconsequente gera uma pressão permanente sobre o meio-ambiente e, aliado aos interesses de lucro constante por parte da lógica intrínseca ao sistema, fecha o quadro preocupante para a Humanidade. Toda essa exploração desenfreada, somada a produção colossal de lixo, mais a expansão industrial pelo mundo, só poderia resultar no Aquecimento Global. Achavam o quê? Que não pegaria nada? Séculos fazendo industrialização e tecnologia deitarem e rolarem sobre clima e recursos naturais para tudo terminar numa boa? Claro que não.

O clima tem sofrido alterações significativas no mundo atual, principalmente através da emissão dos chamados gases de efeito de estufa. Sendo que a principal causa destas emissões prende-se com a rápida intensificação da utilização dos combustíveis fósseis (carvão, petróleo e seus derivados, gás natural) desde o início da Revolução Industrial. O fato é que a sociedade de consumo gestada pelo capitalismo nos últimos dois séculos e a sua perspectiva globalizante alcançada desde o final dos anos 80 poderiam nos ajudar a entender o que está acontecendo. O maior inimigo do aquecimento global é o nosso atual modelo econômico.

Como se não bastasse ser o lobo do homem, nós também somos os lobos dos ursos! Involuntariamente estamos matando os ursos polares pois o aquecimento global interfere diretamente na sobrevivência dessa espécie. Esses ursos são encontrados apenas em cinco países: Estados Unidos, Canadá, Rússia, Noruega e Groenlândia. O aquecimento global contribui para o derretimento das geleiras e a diminuição do espaço para que eles se locomovam e, consequentemente, a oferta de comida também decai.

Os ursos polares desaparecerão, mas, por sua vez, surgirão milhões de refugiados ambientais que formaram já no início desse século um quadro calamitoso, porém a sociedade internacional apenas observa inerte a tudo isso. A situação já é grave em alguns lugares, como no caso de Tuvalu, um pequeno arquipélago do Pacífico, entre o Havaí e a Austrália. Por lá a população já sofre com inundações e problemas com a agricultura graças ao aumento do nível do mares. É bastante provável que o arquipélago, em poucas décadas, acabe sendo completamente inundado. Colombo, Carachi e Hanói são algumas das cidades asiáticas mais vulneráveis a inundações provocadas por chuvas intensas, associadas à subida das águas do mar. Na Europa, o maior símbolo é Veneza.

O pior é que as consequências não param por aí! A primeira vítima, de nossa espécie, do aquecimento global será a população ruiva; essas pessoas formam os dois porcento da população mundial que carrega um gene mutuante chamado MC1R que resulta em pêlos vermelhos e sardas. Cerca de 140 milhões de pessoas são ruivas, não à toa os ruivos são comumente associados aos celtico-germânicos. A primeira mutação do gene MC1R aconteceu a milhares de anos no norte da Europa, numa região extremamente fria e com luz solar insuficiente. Nossos ancestrais, ou parte deles, que habitavam esse território inóspito tinham pouca vitamina D, que só é produzida quando o corpo humano fica exposto ao sol. A mutação que originou os ruivos foi um artifício evolutivo que permitiu aos seus portadores sintetizar a vitamina D, sem exposição à luz solar. Hoje em dia, cerca de 35% dos escoceses e irlandeses possuem o gene MC1R, e quase 13% tem cabelos ruivos.

Acredite ou não, mas estudos recentes da Oxford Hair Foundation sugerem que os ruivos em breve serão extintos. Há uma razão muito convincente para que isso não seja uma piada. O planeta está esquentando em conseqüência do Aquecimento Global. Portanto, mesmo os escoceses estão recebendo muita luz do sol para produzir vitamina D. Esse é o motivo que o gene MC1R esteja se tornando desnecessário. Diferente dos refugiados ambientais de Tuvalu, que um dia poderão se mudar para a Nova Zelândia, os ruivos simplesmente não tem para onde correr.

Tuesday, September 1, 2015

O mito da relação Socialismo X Evolução Tecnológica




A maior incentivadora para o desenvolvimento tecnológico é uma coisa chamada necessidade. Infelizmente, ainda muito se fala sobre a falta de estimulo que poderia haver no socialismo para que haja a mínima competitividade e incentivo ao desenvolvimento. É uma pena acharem que praticamente só há uma forma de se estimular o desenvolvimento: Mercados de alta concorrência.

Uma forma natural de incentivo ao desenvolvimento é o Comportamento Orgânico Social. A sociedade possui necessidades e um instinto natural por eficiência procurando sempre, de algum modo, aperfeiçoar ou agilizar serviços que antes consumiam mais tempos (deste modo, foi inventada a roda, surgiram métodos para controlar o fogo, o desenvolvimento da agricultura, a tração e tantos outros progressos pré-capitalistas).

O ser humano, dotado da sua inteligência, procurou formas, durante toda a história da humanidade, de vencer os obstáculos impostos pela natureza. Desta forma, foi desenvolvendo e inventando instrumentos tecnológicos com o objetivo de superar dificuldades. Isso é absolutamente independente de qualquer organização sócio-econômica, pois trata-se puramente da necessidade de se achar soluções. Toda sociedade possui, diante das necessidades, criatividade e engenhosidade, então sempre acharemos alguma solução para o que precisarmos. Não dependemos do capital para sermos criativos ou engenhosos. Em muitos casos o próprio capitalismo torna-se uma ferramenta prejudicial ao desenvolvimento. Um exemplo disso está nas políticas de "atualizações programadas" ou na manutenção e preferência por tecnologias mais lucrativas ao invés de tecnologias sustentáveis.

Grande pensadores socialistas sempre se mostraram favoráveis à tecnologia. Karl Marx escreveu na "Crítica ao programa de Gotha" que era necessário que os trabalhadores desfrutassem de conforto material no socialismo. Marx e Engels eram entusiastas do progresso industrial, condenando os métodos pelo qual foi alcançado, Lenin era um entusiasta da tecnologia, e em sua obra política fez questão de enfatizar que o comunismo dependeria do poder soviético mais a eletrificação de todo o país (a eletricidade era, então, talvez a mais avançada forma de tecnologia humana em sua época), a era de Stalin permitiu ao homem soviético dominar a mesma força que gera o sol, a energia nuclear. Os primeiros computadores soviéticos criados no final dos anos 1940 não eram inferiores a seus análogos ocidentais. No começo dos anos 50, foi criada na URSS uma indústria moderna de computadores pessoais cujo nível não era inferior ao da indústria estadunidense.

Talvez não seja muito sabido mas a internet deve muito ao potencial soviético de transmissão de dados via-satélites, possivelmente sem os Russos, hoje não tivéssemos opções de internet a rádio. Para não nos alongarmos muito, aqui será citado somente o nome de um inventor:  Leonid Ivanovich Kupriyanovich. Sim, o russo Kupriyanovich era comunista e um engenheiro conhecido por seus inventos na área de comunicação. Ele, ainda na primeira metade da década de 1950, inventou um aparelho semelhante aos walkie-talkies, capaz de fazer ligações de até 1,5 km de distância. 

Em 1957 ele apresentou a mesma versão de seu walkie-talkie, mas com um alcance de 2 km e com o peso de 50g. Mas o engenheiro comunista não parou por aí, no mesmo ano ele apresentara o LK-1, um telefone celular que usava ondas de rádio, tinha o alcance de 20 a 30Km de distância e uma bateria que durava 20 a 30 horas. O dispositivo manual pesava cerca de 3kg e dependia de uma estação. Mas, segundo Kupriyanovich, a estação podia servir a vários clientes. Ele patenteou seu telefone celular em 1957 (Certificado № 115494, 1.11.1957). Em 1958, no Instituto de Investigação Científica de Voronej (VNIIS), Kupriyanovich iniciou a pesquisa por um sistema próprio de comunicação celular. Suas descobertas científicas eram constantemente publicadas na mais famosa revista sobre tecnologia editada na União Soviética, a Nauka i Jizn. Em 1958, Kupriyanovich fez uma versão ainda menor da sua invenção. O aparelho do engenheiro soviético não apenas permitia ao usuário fazer ligações, como também recebê-las de telefones residenciais e também de telefones de rua. 

Em 1961, ele desenvolveu um dispositivo ainda menor que o de 1958, que cabia na palma da mão, e tinha um alcance de mais de 30km. Kupriyanovich inventou o telefone celular apenas incentivado pela necessidade de comunicação à longas distancias, ele não queria ficar trilhardário e explorar os consumidores com o monopólio do serviço que o seu invento poderia prestar. Tanto é que acredita-se que o telefone celular foi inventado em 1973 nos EUA, porque a Motorolla tinha planos para explorar comercialmente o aparelho; que só foi posto no mercado em 1979 a um custo de US$ 3700,00 e fazendo ligações que custavam de 24 a 40 centavos o minuto. Enquanto os estadunidenses propagandeavam os serviços do aparelho que estavam vendendo, o invento de Kupriyanovich, lá em 1963, era basicamente usado por quem tinha real necessidade do serviço, como médicos, em hospitais, e por taxistas pela URSS. É por essas e outras que dizem que “a propaganda é a alma do negócio”.

O importante é perceber que o socialismo não limita a tecnologia. Até se citarmos os video games, veremos que não houve qualquer cingimento, pois foram também os soviéticos os responsáveis pelo jogo mais distribuído na história, sendo até hoje, um dos principais jogos referências do árcade - O lendário "Jogo Mental Soviético" Tetris. O comunismo jamais impediria a existência de smartphones ou mesmo de jogos de video games, e nem significaria que esses jogos fossem ultrapassados ou pouco desenvolvidos, isso só dependeria da necessidade da sociedade e a dedicação e curiosidade de algum realizador em trabalhar nisso.

A livre concorrência junto com a iniciativa privada, busca o lucro, então o que se deseja não é o bom funcionamento de algo para um melhor usufruto da população, mas sim retornos financeiros cada vez maiores. Isso permite que os concorrentes se vejam como inimigos comerciais e buscam dificultar o êxito alheio, pois isso significaria a sua derrota. Mas é justamente essa lógica, como previamente citada, que emperra o livre desenvolvimento tecnológico. Sem o capitalismo, nós poderíamos estar ainda mais evoluídos tecnologicamente.

Saturday, August 29, 2015

LOUCOS E LIBERAIS, ou seria LIBERAIS E LOUCOS?


Milton Friedman foi um economista liberal do século XX. Ele fundou Escola Monetarista de Chicago. Foi um dos principais defensores do liberalismo econômico e um dos idealizadores do neoliberalismo. Friedman tentou em uma palestra convencer a sua platéia de que certos países ocidentais não ficaram ricos devido a escravidão ou mesmo devido aos recursos que extraíram das suas colônias. Ele falhou miseravelmente.

Friedman mostra um notável cinismo ao falar da história. Os fatos simplesmente não concordam com o que ele sugeriu. Ele diz que o capitalismo é necessário para a liberdade, mas não o suficiente. Bom, de fato, não é suficiente porque o capitalismo simplesmente não envolve liberdade alguma. Sob o referido sistema, a propriedade privada já está abolida para nove décimos da população, ou seja, se trata de um privilégio puramente elitista. Para começo de história, o sistema precisa de propriedades privadas, permanente resquício do feudalismo, que por si só já é uma demonstração da falta de liberdade. Pagamos pedágios, taxas ou algo similar para simplesmente ter acesso a locais públicos, se não tens dinheiro, o teu direito de ir e vir está cerceado.

Para ele, a Inglaterra não tinha escravos. Sabemos que ele tinha noção do envolvimento da Inglaterra com o comércio de escravos africanos, Friedman não era tolo, só tentou se fingir. Mas a riqueza inglesa veio também através da exploração de suas colônias, que também usavam escravos, mão de obra gratuita.


Segundo Friedman, o Japão não teve escravos nos 100 anos desde a restauração Meiji. O Japão é o maior exemplo de colonialismo na Ásia, não vale a pena se prolongar nisso. Mas é bom lembrar que essa política japonesa foi uma reprodução daquilo que o próprio país foi vítima. A partir de 1850, as nações ocidentais passaram a desenvolver estratégias políticas que pressionavam a abertura política e econômica japonesa. Em 1854, sob o comando do almirante Perry, uma esquadra norte-americana impôs a abertura dos portos nipônicos ao mercado mundial. Por meio de sérias ameaças militares, os japoneses foram obrigados a assinar tratados comerciais com diferentes países. E aí, Friedman? Não vemos liberdade nisso.

Segundo ele, o colonialismo sempre custou mais para a metrópole do que retribuiu em benefícios econômicos. Mas o exemplo dado, que cita a Índia como colônia custosa para a Inglaterra, não foi feliz. A Índia, terra das especiarias, foi uma grande colônia para a Inglaterra e era economicamente vantajoso explorar o país, que na época abrangia também a região do atual Paquistão e Bangladesh. Por que acham que houve uma guerra pela independência da Índia? Se não fosse lucrativo, os ingleses jamais gastariam recursos enviando e mantendo tropas para impedir a independência indiana.

Para ele, o colonialismo ocidental foi muito bom, especialmente para as colônias, mas então ele cita que só havia colonialismo de fato na URSS; porém aí, ele firmou que o colonialismo em questão era muito ruim. Então ele deixa claro a sua parcialidade, resultante de uma desonestidade intelectual deplorável.

Vejamos, para o maluco, a URSS era uma nação imperialista impiedosa, ao mesmo tempo em que afirmou que os EUA nunca foi um país colonialista! A Doutrina Monroe não era soviética, muito menos a “Política do Big Stick” aplicada no continente americano. Não vou citar os episódios de invasão e anexação de territórios Mexicanos, ou como a política dos EUA influenciava os países latino americanos. Em 1776, os EUA, eram as 13 colônias e em 1865 já era o território atual. Isso graças ao maior genocídio da história, dos nativos americanos. Um processo análogo ao imperialismo, para fomentar crescimento econômico, visando alta aquisição de territórios, acesso a matérias primas e criação de mercado consumidor. Sem a expansão territorial norte americana, e o secular uso do trabalho escravo, eles não estariam em par com os europeus na primeira guerra mundial.

Friedman até tentou, mas falhou miseravelmente.

Sunday, March 29, 2015

É liberalismo ou neoliberalismo?

Na verdade é tudo quase a mesma coisa, as diferenças são irrelevantes na prática, mas os liberais fazem questão de considerá-las. Tanto um termo quanto o outro se refere à uma opção totalmente danosa à sociedade e deve ser evitada.

O liberalismo é uma doutrina econômica surgida no século XVIII que se estendeu até a década de 1920. O liberalismo clássico perpetua o individualismo. Os três elementos fundamentais do liberalismo são a garantia da propriedade privada, a garantia dos excedentes monetários e a liberdade de usar os excedentes monetários. Sobre esses fundamentos os liberais aceitam as sandices docemente imaginadas por Adam Smith, que argumentou sempre existir uma tendência natural do ser humano para a troca e a barganha, na busca por saciar seus próprios interesses. Assim, teoricamente, os indivíduos estão contribuindo para o aumento automático da riqueza da sociedade, mesmo não sendo realmente este o intuito. É como se a sociedade se beneficiasse como um todo, porque cada um estaria buscando o melhor para si. E isso, segundo Smith, de forma natural, sem a necessidade de nenhuma intervenção estatal. Sim, é a tal "mão invisível", que na prática só nos rouba, mas na teoria liberal apenas leva os indivíduos a promoverem o bem-estar da sociedade de forma inconsciente, apenas com o objetivo de atender aos próprios interesses.

O problema, além da falta de noção da realidade, é que até teoricamente toda essa maravilha só é possível se, e somente se, houver um bom excedente de produção e o tal excedente só se aplica na nossa realidade se houver desigualdade, pois nem tudo produzido em uma sociedade necessariamente terá excedentes, assim os detentores dos meios de produção, seja rural ou seja urbano, passam a ter o poder (controlando ofertas e valores) pois se há escassez há poucas opções e assim sendo, nem todos poderão consumir do que necessitam. Os que são privados de suas necessidades se tornam miseráveis e os que não só saciam as suas necessidades e desejos, mas também gozam de abundância, se tornam ricos. O pensamento de que o liberalismo incentiva a todos a trabalharem mais para que tenham maior estoque do produto de seu trabalho, necessário para se trocar por outros bens de interesse, não está de todo errado, porém se você trabalha para alguém, o que você produz pertence à essa pessoa, caso trabalhe somente para você, o teu (por óbvias limitações físicas) limitado excedente será irrelevante para barganhar em um mercado dominado por produção alheia explorada. Assim se estabelece a desigualdade que o liberalismo precisa.

Já o Neoliberalismo é o ressurgimento, iniciado nas décadas de 1970 e 1980, de ideias associadas ao liberalismo econômico europeu através da Escola Monetarista do economista Milton Friedman, como uma solução para a crise que atingiu a economia mundial em 1973, provocada pelo aumento excessivo no preço do petróleo. Friedman, aliás, foi conselheiro econômico do Presidente republicano dos Estados Unidos Ronald Reagan. O conceito em questão reunia um conjunto de idéias políticas e econômicas capitalistas que defende a não participação do estado na economia. De acordo com esta doutrina, deve haver total liberdade de comércio (livre mercado), pois este princípio teoricamente garante o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. Originalmente, o neoliberalismo (que nada mais era do que uma proposta para um novo liberalismo) emergiu, como previamente citado, entre acadêmicos liberais europeus ainda na década de 1930 e que tentava definir uma denominada "terceira via" entre as filosofias em conflito do liberalismo clássico e da economia planificada coletivista.

O Neoliberalismo ganharia força e visibilidade com o Consenso de Washington (receituário de medidas neoliberais), em 1989. Na ocasião, a líder do Reino Unido, Margareth Thatcher, e o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, propuseram os procedimentos do Neoliberalismo para todos os países, destacando que os investimentos nas áreas sociais deveriam ser direcionados para as empresas. No Brasil, o Neoliberalismo, mantido por Lula e Dilma, teve início ainda no governo Collor, e foi adotado abertamente nos dois governos consecutivos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Em seus dois mandatos presidenciais houve várias privatizações de empresas estatais. Muito do dinheiro arrecadado foi usado para manter a cotação da nova moeda brasileira, o Real, equivalente a do dólar.

O curioso detalhe é que os liberais rejeitam com todas as suas forças o termo "neoliberalismo", para eles essa ideologia sequer existe e assim não pode nem ser considerada. Eles julgam o termo equivocado porque o neoliberalismo, segundo os mesmos, sempre foi negado pelos verdadeiros liberais (os clássicos) e seus fieis seguidores, já que a tal geração pioneira, da década de 30, era formada por nomes irrelevantes e esses apenas "deturparam" os argumentos de nomes como Mises, sobre a ótica de que o Estado poderia, sim, resolver tudo. Segundo eles, existe apenas o liberalismo e nada mais. Para alguns liberais, o neoliberalismo, que eles tanto rejeitam, é uma mera ilusão baseada no liberalismo (desculpem a redundância), já que as idéias propostas são de certa forma corporativistas e em alguns graus também anti-livre mercado por ter  relação com o ortoliberalismo, que  é uma escola de pensamento econômico do liberalismo, que enfatiza a necessidade do Estado assegurar a correção das imperfeições dos livre-mercados para permitir que se aproximem dos níveis de eficiência segundo o seu potencial teórico.

Sabemos que nenhuma corrente de pensamento pode negar que o capitalismo é completamente falho, a maior estupidez que pode acontecer, e infelizmente acontece, é continuar insistindo com esse sistema em um jogo absurdo de erros e acertos. Essa estupidez está intimamente relacionada à teimosia dos pensadores liberais, lacaios dos poderosos, que não admitem as falhas dos capitalismo, infelizmente, é por isso que ao invés de se mudar a estrutura, ficam apenas remendando as peças. A história já nos mostrou que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências econômicas e as empresas multinacionais. Os países pobres ou em processo de desenvolvimento, como o Brasil, sofrem com os resultados de uma política neoliberal. Nestes países, justamente por causa das políticas baseadas no neoliberalismo, vemos desemprego, baixos salários, aumento das diferenças sociais e dependência do capital internacional. Defensores das idéias liberais teimosamente insistem em não admitir que os problemas que essas idéias causa só tendem a torna-se ainda mais crônicos; vejamos as palavras de Carlos Alberto Sardenberg sobre um recente exemplo da incapacidade liberal de sucesso, que economistas como ele, fazem questão de ignorar ou minimizar: "Alguns chegaram a dizer que a falência do banco Lehman Brothers estava para o capitalismo assim como a queda do Muro de Berlim esteve para o socialismo. Bobagem... Quanto mais capitalismo, melhor; quanto mais mercado livre, melhor". O caso do banco Lehman Brothers está relacionado a crise mundial de 2008, pessoas como Sardenberg parecem caçoar das pessoas que sofreram diretamente com essa crise, que infelizmente não será a última.

Friday, March 27, 2015

Liberalismo X Imperialismo

Há alguma relação entre os liberais e os imperialistas? Bom, vamos por partes. Faremos uma breve viagem histórica para mostrar essa relação. O imperialismo vem sendo praticado por um grupo de nações, a partir do século XIX.Porém muitos defensores do liberalismo ou neo-liberalismo afirmam que não há relação entre o livre mercado e o conceito de "Imperialismo". Acontece que na prática, vemos indícios que apontam para o contrário. Eles sustentam a velha história de que o comércio é feito de perdedores e vencedores, onde, para que um ganhe, outro tem que perder. Vemos que diferentemente do que ocorre na Economia planificada, na Economia de mercado (liberal) a maior parte da produção econômica é gerada pela iniciativa privada. Assim, Indústria, comércio e prestação de serviços são controlados por cidadãos particulares, ou seja, são empresas do setor privado que detêm a maior parcela dos meios de produção. Pode-se, então, afirmar que nos países denominados capitalistas, onde o estado é praticamente um observador, há uma economia de mercado (liberal). Mas quem domina esses países? O lobby; como já falamos anteriormente, quando um texto aqui publicado em 2013 mostrou a força dos lobistas no congresso brasileiro como exemplo. O lobby influencia diretamente os governos.

Na teoria o livre mercado é feito de trocas aparentemente voluntárias, onde indivíduos trocam produtos ou serviços através de transações. Os liberais ressaltam que o imperialismo é sempre baseado na força dos agentes, onde o mais forte obriga o outro a realizar uma troca. Os defensores do liberalismo afirmam que no primeiro caso, ambos ganham, enquanto no segundo caso (imperialismo) há um jogo de “soma zero”, onde um ganha e o outro perde. Podemos citar como exemplo os EUA como um promotor do imperialismo no mundo. Através dessa política, os EUA se beneficiam economicamente ao influenciar ou fazer imposições culturais e políticas em um outro país. Mas benefícios econômicos como? Através das empresas estadunidenses que passam a lucrar nesse outro país, essas empresas são observadas e protegidas pelo governo dos EUA que sustenta o discurso do livre mercado.

A política imperialista é atual, mas nasceu de longínquas alianças entre os governos e grandes empresários. Como os segundos controlavam os primeiros, era simples fazer com que a conquista de terras e mercados além-mar deixassem de ser apenas um interesse de poucos, para se tornar interesse da nação inteira. Dessa forma, as potências lá do século XIX passaram a mobilizar tropas, produzir armamentos e até mesmo inventar motivos de caráter civilizador para dominar países asiáticos, africanos e latinos. Vale ressaltar que essa grande operação não era apenas bancada com o capital dos empresários, mas também dos pagadores de impostos. Sem falar que os ganhos obtidos pelo país explorador não compensavam os altos custos para dominar certa região. O lucro, portanto, desde aquela época, era privado e o prejuízo era coletivo.

O preço que os povos dominados nesse período pagaram já é do conhecimento de todos os leitores. Estes foram sim explorados e escravizados, uma vez que não só eram obrigados a trabalhar como também eram constantemente tratados com violência pelos dominadores. Por mais que algumas potências da época fossem contra a escravidão, como posteriormente foi o caso do Reino Unido, suas razões estavam longe de ser em prol dos direitos humanos. Hoje o escravo deu lugar ao funcionário assalariado que trabalha em condições insalubres para dar lucros a uma empresa estrangeira que não dá a mínima para as condições desses trabalhadores.
Em regiões como o continente africano, onde a opinião pública no século XIX era irrelevante, escravizar ou forçar um indivíduo a trabalhar era muito mais fácil, principalmente quando as tropas do estado ajudavam na coerção. Com isso, era melhor acabar com o comércio de escravos para que estes pudessem ser usados como mão de obra em sua terra natal. Isso explica as ações contra navios negreiros por parte dos ingleses, no Atlântico. Queriam mais gente trabalhando direta ou indiretamente, como funcionários ou consumidores, para as empresas inglesas terem mais lucros.

O livre mercado é, portanto, a máscara usada pelos imperialistas para darem uma cara mais humana às suas ações.  A planificação geral das relações internacionais, onde o estado e os grandes empresários vão a outros países para roubar riquezas e subjugar povos não é compatível com a bela teoria de trocas voluntárias, pregada pelos defensores do liberalismo. Porém, o imperialismo é uma política variante do capitalismo, pois é conseqüência do mesmo. Essa específica visão política e econômica vai além de um mero relacionamento entre o Rei e vários amigos comerciantes (hoje substituídos por presidentes e lobistas). Tal relacionamento criou vários filhos, desde a Era das Grandes Navegações, que acabaram por reduzir a liberdade, espalhando miséria pelo mundo durante séculos.

A resposta para a pergunta do início do texto é sim. Imperialistas e liberais tem relações quiçá íntimas, o tempo passou mas a política imperialista basicamente é a mesma. Durante a passagem dos séculos houve uma espécie de passagem de bastão imperialista, já que a hegemonia britânica diminuiu com o tempo, ao passo que a influencia do seu filho rebelde, EUA, exorbitou-se nos 200 anos seguintes. Os estadunidenses promovem guerras, financiam conflitos e golpes de estado para continuarem lucrando mundo afora. Desde o fim do século XIX os imperialistas se dizem liberais e democratas, mas não agem como se definem.

A pseudociência favorita dos liberais

A evidente limitação da dualidade onde se edificou a precária pseudociência da praxeologia, a qual é usada como refúgio teórico para muitos liberais, denuncia a sua ridícula desonestidade intelectual. Quem leu algo do economista austríaco Ludwig VonMises, provavelmente já deve ter visto a palavra "praxeologia", mas o que é essa tal palavra? A praxeologia é resumidamente uma falácia liberal usada como estratégia teórica para justificar o pensamento que promove as políticas liberais.

Mas o que é mesmo uma pseudociência? Bom, basicamente uma pseudociência é um agrupamento relativamente lógico de prováveis inverdades que são vendidas como ciência. Exemplo: astrologia, caracterologia, criacionismo científico, grafologia, memética, ovinologia, parapsicologia, psicanálise, etc.

O austríaco Karl Popper definiu o socialismo como uma pseudociência apenas baseando-se no critério de demarcação do falsificacionismo criado por ele próprio nos anos 30. Popper se esforçou bastante na tentativa de desqualificar o socialismo, mas só convenceu quem muito se sugestionou a isso. Basicamente, a Falseabilidade é uma propriedade que tem uma asserção, hipótese ou teoria de poder ser provada como falsa. Por exemplo, a asserção "todos os urubus são pretos" poderia ser falseada pela observação de um urubu amarelo. Mas se quisermos ser honestos, não podemos limitar as conclusões a isto; mesmo os pensadores liberais estando ávidos por essas migalhas conclusivas. Nesse aspecto Popper é o velhinho na praça que joga migalhas para os pombos liberais que são atraídos por meras versões cientificistas completamente deterministas e irresponsavelmente simplistas. Popper ignorou o fato de que dentre outras coisas, as verdades do comunismo são absolutamente científicas. Mas além disso, se pegarmos como exemplo o marxismo, veremos que a ciência é apenas um dos elementos diversos que o compõe. A dinâmica social é plural e os socialistas não estão alheios às tendências que surgem dela.

Se Popper tivesse o mesmo apetite para com a praxeologia, como teve com o socialismo, teria um prato cheio para denunciar a sua precária lógica indefensavelmente dualista como uma pseudociencia safada. Mas vale lembrar que Popper era liberal e inclusive até ajudou a fundar a Sociedade Mont Pèlerin com Ludwig von Mises. Assim, Karl Popper não se propôs a essa tarefa de analisar friamente a tal praxeologia, até porque Ludwig Von Mises, amigo de Popper, era devoto da mesma, que é uma mera metodologia que tentar explicar a lógica da ação humana, geralmente, baseada na ideia de que os seres humanos possuem comportamentos propositais, ao contrário de comportamentos reflexivos como espirros e comportamento inanimado.

Ludwig von Mises fez um uso ridículo de sua hipótese praxeológica no desenvolvimento de suas teorias econômicas. Para quem não sabe, Mises é considerado o ícone da Escola Austríaca de Economia. A maior obra de Mises é a chamada “Ação Humana”, onde ele apresenta o método da praxeologia. Os economistas da Escola Austríaca continuam usando a hipótese praxeológica, ao invés de estudos empíricos, para determinar os princípios econômicos. Para outros economistas, a praxeologia seria responsavelmente no máximo uma sub-disciplina da economia. Ainda assim, muitos liberais são devotos da praxeologia e ainda defendem a cientificidade da mesma, inclusive até se definem como praxeologistas, mesmo tendo sido demonstrado inúmeras vezes que sua epistemologia é pífiafiamente pseudocientífica. Vale frisar que nos seus delírios, Mises nega a própria realidade, e rejeita o método científico nas ciências humanas e sociais na construção da praxeologia. Mises tenta estabelecer “leis” imutáveis a partir de um único axioma, além dele ter acrescentado hipóteses ad hocs e ter argumentado através de Ipse Dixit (falácia lógica: argumento pela afirmação).

Mises distingue o que ele chama de “ação” do comportamento instintivo. Ação seria um comportamento que é feito com alguma intenção em mente, ou seja, um objetivo-orientado. Apesar de admitir a possibilidade de explicações materialistas, ele argumentava que os pressupostos do dualismo e da livre-vontade são necessários para uma “ciência” da ação humana (resumindo: ele falou com palavras bonitas que devemos enaltecer explicações metafísicas de caráter inverificável para que sua “ciência” funcione. Porém, o nome disso se chama pseudociência!). É claro que, além disso, tem o problema de derivar todo um sistema de fé baseados em um único axioma em economia. Vemos que até um louco internado em um sanatório seria mais sóbrio que o catedrático austríaco. Mises ainda fugiu do problema ao fazer uma distinção clara entre “ação” e “instinto” que não existe na psicologia e nas ciências cognitivas (na verdade, ele descarta toda a psicologia, antropologia, et cetera, portanto, ele foi incapaz de fazer qualquer previsão).

Em resumo, tenha em mente que a praxeologia é uma pseudociência de caráter inverificável, que parte de um único axioma e de premissas dualistas. É forçar muito a barra querer aplicar a praxeologia na economia. Apesar de alguns liberais ainda cultuarem a praxeologia, é interessante notar que estes mesmos se rebelam contra o marxismo e o socialismo usando o mesmo tipo de “desculpa”, i. e., chamando o marxismo de pseudociência e confundindo socialismo com marxismo. Mas esquecem da evidente limitação da dualidade onde se edificou a precária pseudociência da praxeologia.