Thursday, October 12, 2017

O vassalo dos yankees

Jair Bolsonaro prestando continência à bandeira dos EUA


Pois é, uma hora a máscara do lacaio tem que cair, não é mesmo? Recentemente Jair Bolsonaro, em um comício na Flórida, EUA, mostrou o valoroso vassalo que é, deixando claro que "O Trump vai ter um grande aliado no Hemisfério Sul", caso o deputado se eleja presidente em 2018. Jair Bolsonaro é um homofóbico assumido, machista legítimo, daqueles que mostram a sua “macheza” apenas para intimidar mulheres, como ele fez com uma colega deputada em frente às câmeras em um dos salões do congresso; além do mais, durante todo o seu tempo como congressista ele se mostra como um hipócrita populista, que busca agradar os conservadores do Brasil. 

Em 26 anos, desde 1991, Bolsonaro teve só duas propostas que viraram leis, durante todo esse tempo ele só fez uma proposta abordando a educação, e foi arquivada. Criticam tanto o político brasileiro com o perfil de Tiririca, irreverente e comunicativo para manter a sua popularidade, mas não tecem muitos comentários, nesse sentido, para tipos como Bolsonaro, que é um Tiririca muito pior (e perigoso), na prática um lacaio do imperialismo, que flerta com tendências fascistas, obviamente não deveria ser um político no Brasil, jamais. Mas não é isso o que ocorre, infelizmente. A sua plataforma, resumidamente, é uma potencial ameaça à democracia nacional. Tal democracia custou caro ao o povo brasileiro, de fato, nos custou muitas vidas durante a repressão militar dos anos 60 até os anos 80. 

Democracia não é prioridade para lacaio imperialista. O deputado se define como um patriota e que luta pelos interesses dos militares, mas ele próprio foi um mau militar, se encontra hoje na reserva após uma carreira medíocre dentro das Forças Armadas. Nenhuma força manteria dentro dos seus quadros alguém com histórico de insubordinação e desrespeito à disciplina e à hierarquia. O seu histórico de hipocrisia é vasto, começou publicamente nos tempos de capitão do Exército.

Para quem não sabe, ainda nos anos 80, o hoje deputado, tentou fazer seu nome no exército brasileiro bolando uma campanha por melhores soldos, a qual ele era o suposto líder. E como Jair Bolsonaro promoveu tal campanha? Planejando explosões nos quartéis. O que a imprensa, como a revista Veja, noticiou foi que as operações envolviam supostas explosões de limitado impacto, que serviriam para assustar o ministro do Exército da época, o general Leônidas Pires Gonçalves. Tais ações mostrariam ao presidente José Sarney que o general Gonçalves não exercia controle sobre a tropa. 

Tal plano não deu certo e o capitão foi preso, mas nascia o político. Vê-se que Bolsonaro não move uma palha pela soberania nacional, o que só comprova que ele é um fraco como patriota e péssimo parlamentar, que faz questão de abrir mão da Amazônia, tão defendida pelas Forças Armadas, para que toda a região nacional seja explorada por países que tenham, segundo o próprio, "bomba atômica". O referido deputado, um gritante exemplo de pessoa submissa, não se preocupa com o corte de verbas que reduziu o contigente militar nas fronteiras. A sua fome de poder tem outro foco.

Bolsonaro prega uma coisa, mas pratica outra, o deputado declara apoio ao governo liderado por Michel Temer, basicamente formado pela aliança PSDB e PMDB, dois dos partidos mais corruptos do país; que vem promovendo cortes em setores importantes do país e congelando orçamentos em nome da economia nacional, as tais políticas acabam consequentemente vitimando as Forças Armadas que o deputado diz defender. O que foi feito até hoje para frear o sucateamento das Forças Armadas? Falta vontade política e verba para o projeto aeroespacial ou para o submarino nuclear do Brasil, em suma, a defesa nacional está desamparada, mas Bolsonaro não faz o que prega, apenas age como mais um político hipócrita. O deputado já deixou escapar que é contra a política nuclear nacional, que aliás foi aprofundada pelo general Ernesto Geisel nos anos 70 e vem definhando desde então.


Mas um dia as máscaras caem, 2017 trouxe tal dia. Você imaginaria ver Donald Trump ou qualquer militar da reserva dos EUA, em um evento qualquer prestar continência para uma tela de LED mostrando a bandeira do Brasil, ou mesmo efusivamente puxar um coro “Brasil, Brasil”? Tal cena aconteceu, como o vídeo mostra, mas ao contrário, quando o vassalo dos EUA e analfabeto político prestou continência à bandeira estadunidense, nação que pouco considera o Brasil. Foi no tal comício mambembe em Deerfield Beach que Bolsonaro, de forma ilegal, já que só se presta o gesto à bandeira estrangeira em ato oficial, prestou continência à bandeira estadunidense. Não se enganem, Bolsonaro não é patriota nem aqui, nem nos EUA!



Referências:



Friday, September 29, 2017

Cuba ou Porto Rico, independência ou submissão?


Duas ilhas, duas realidades, mas o mesmo desastre natural, podemos claramente ver como a política influi diretamente na vida de um cidadão comum; um povo que luta pela sua autonomia terá um comportamento, um outro que abre mão da sua soberania permanece submisso à mercê da própria sorte, se é que ela existe. Cuba e Porto Rico sofrem com os furacões no Caribe, mas enfrentam os problemas de formas bem diferentes. Uma é a “ovelha negra”, “rebelde”, “mal exemplo” para mundo ocidental, a outra é a “ovelinha”, “obediente”.

Hoje Porto Rico mendiga atenção do governo estadunidense para resolver os problemas graves que a ilha, em decorrência da temporada de furacões no Caribe, enfrenta. Até o momento registrou-se oficialmente 16 mortes na ilha por causa do furacão Maria. Grande parte da ilha principal, incluindo a maioria de seus hospitais, ainda está sem energia. Quase metade dos cerca de 3,5 milhões de habitantes seguem sem acesso a água potável. A destruição foi acentuada devido à infraestrutura precária do empobrecido território estadunidense. Quase metade dos 3,5 milhões de habitantes de Porto Rico vive abaixo da linha de pobreza. Em toda a ilha, há construções precárias de madeira e tetos de zinco. As tempestades causaram grandes danos aos aeroportos e portos, criando desafios logísticos para as equipes de socorro.

Cuba não é manchete de nada nesse assunto, nem é citada como mais uma ilha do Caribe que sofreu com os desastres naturais recentes na região. Porém, a destruição em Cuba foi grande, lá o furacão Irma – o mais potente na história do oceano Atlântico –, o mesmo que arrasou a Flórida, deixou dez mortos e incontáveis danos materiais. A ilha basicamente se reergue sozinha, como em muitos momentos da história, sem suplicar a boa vontade de ninguém sem se colocar em posição submissa, quiças até degradante, para receber migalhas seja de quem for.

Mas qual é a relação EUA x Porto Rico? Porto Rico é uma ilha que os Estados Unidos tomaram da Espanha em 1898. Pela sua condição, Porto Rico não goza do mesmo tatus de um estado dos EUA, os porto-riquenhos são representados no Congresso por apenas um comissário com voz, mas sem voto; e Washington tem a última palavra em assuntos de seus territórios. Em 1952, Washington conferiu à ilha o estatuto de "Estado livre associado", o que lhe dá alguns direitos nos Estados Unidos, como a cidadania e liberdade de movimento, além de alguma autonomia. Mas isso não é o "suficiente", o povo local demandou um plebiscito, não vinculante para Washington, a fim decidir sobre a anexação da ilha aos EUA. Porto Rico tem organizações políticas, como o PIP, que buscam a sua independência, mas são grupos até o momento irrelevantes, a maioria social da ilha deseja que a sua terra seja submissa aos Estados Unidos da América. No dia 11/06/2017 a população votou para que Porto Rico se tornasse um estado dos EUA e não uma nação soberana, foram cerca de 2,2 milhões de eleitores. Com 98% dos votos o povo pediu pela anexação.

Porto Rico, uma ilha de população, como o império rotula “latina”, não parece que receberá qualquer ação substancial do governo estadunidense por hora. Até uma possível atitude do governo Trump, descendentes de porto riquenhos e nativos da ilha irão suplicar alguma solução, chorar nas redes sociais, dar o seu testemunho do atual cenário devastador ilha e descrever o que está acontecendo com eles nos EUA e com os seus familiares, praticamente incomunicáveis, em Porto Rico. Antes dos furacões, a ilha já estava dizimada, mas por uma dívida de mais de 70 bilhões de dólares que não pode honrar. Porto Rico vivia das grandes empresas atraídas por isenções fiscais, mas esses benefícios foram abolidos em 2006, dando início à queda livre. Mesmo sem sofrer um duro e longo embargo econômico como Cuba sofre, Porto Rico não conseguiu se recuperar economicamente. Washington passou a supervisionar suas finanças, mas não mostra vontade alguma de resgatar Porto Rico, entre outras coisas, porque a ilha não é propriamente um estado da União. Pelo jeito, nem mandar ajuda substancial aos necessitados por causa do furação, o governo Trump irá.

Cuba buscou sua soberania desde sua independência da Espanha, enfrentou o império e segue de cabeça erguida gloriosamente enfrentando o grande mal da humanidade, os Estados Unidos da América. Paga caro por ser independente e digna, tem o seu povo vitimado pelo imperialismo, mas é o povo a alma da resistência cubana, mesmo com todas as dificuldades resistem e seguem em frente. Honram com imensurável orgulho a sua Revolução Popular de 1959, que tanto pôs medo ao império e o preocupa até os dias de hoje.

Duas ilhas caribenhas, ancestralidade cultural parecidas, bandeiras parecidas, vítimas do mesmos desastres, mas de posições políticas distintas e relação com os EUA antagônicas. Uma mendiga atenção e a outra se reergue em seu próprio povo. Ser soberano custa caro, mas esse preço Cuba paga com dignidade, pois o exemplo de Porto Rico só é prova que a vontade do povo cubano é sábia, viva a Revolução!

Fonte:




Saturday, September 9, 2017

Estrangular todo um povo, sem dó nem piedade.

*Charge de Latuff


Estrangular: Impedir a respiração (a alguém ou a si próprio), apertando(-lhe) o pescoço; esganar(-se), enforcar(-se). Estrangulamento é o ato que consiste em pressionar o pescoço interrompendo o fluxo de oxigênio para o cérebro, podendo levar a pessoa que sofre a ação à inconsciência ou mesmo à morte. Em medicina forense chama-se de estrangulamento aquele causado por laços de diversos tipos de materiais que proporcionam lesões distintas. Tendo isso em mente, o Pentágono, Departamento de Defesa dos Estados Unidos, batizou uma missão de “Operação Estrangular”, tal missão tinha como meta arrasar a Coréia do Norte. Segundo o ex-secretário de Estado americano Dean Rusk, "Tudo que se movia." Assim eram definidos os alvos das bombas lançadas sobre a Coreia do Norte durante a Guerra da Coreia (1950-1953).

No período da guerra na península coreana, os estadunidenses levaram a cabo incessantes bombardeios que arrasaram a Coréia do Norte e obrigaram sua população a viver sob a terra. Foram três longos anos de ataques aéreos contínuos e indiscriminados, que arrasaram cidades e vilarejos da república socialista e mataram dezenas de milhares de civis. James Person, especialista em política e história coreanas do centro de estudos Wilson Center, em Washington, diz que essa parte da história dos Estados Unidos, obviamente, não é muito divulgada no país. "Como ocorreu entre a Segunda Guerra Mundial e a tragédia do Vietnã, a maioria do público americano não sabe muito sobre a Guerra da Coreia."

Mas, na Coreia do Norte, nunca se esqueceram dela - e essas lembranças continuam a ser uma das razões de um temor que impera ali para com os Estados Unidos. Desde então, Pyongyang sempre viu os estadunidenses como uma ameaça, uma rivalidade que está na raiz da tensão que existe na região, ultimamente em seu auge.

O conflito em questão se tornou uma sangrenta guerra em 1950 quando tropas estadunidenses, reforçadas por uma coalizão internacional, passou a atacar tropas norte coreanas, como já citado em "O imperialismo nunca escutou a voz de um povo", o episódio que deu início a guerra na península foi uma ação de tropas do sul com a intenção de tomar a cidade de Haeju, do lado norte da fronteira, norte e sul entraram em combate nas áreas próximas ao Paralelo 38 N. Kim Il-sung, avô do atual líder da Coreia do Norte, já tinha planos de lançar seus homens contra o país vizinho após uma forte repressão de simpatizantes do comunismo pelo regime militar comandado por Syngman Rhee em Seul.

Na primeira fase de hostilidades, o enorme poder aéreo estadunidense havia se limitado a atingir alvos estratégicos, como bases militares e centros industriais, mas um fator inesperado mudou tudo. Pouco depois do início da guerra, a China, temendo o avanço dos Estados Unidos rumo às suas fronteiras, decidiu sair em defesa da Coreia do Norte. Os soldados estadunidenses começaram a sofrer cada vez mais baixas por conta dos ataques das Forças Armadas chinesas, que não eram tão bem equipadas quanto as dos Estados Unidos, mas muito mais numerosas. Segundo James Person, "Para o comando americano, era vital interromper os suprimentos enviados por chineses e soviéticos que permitiam a Coreia do Norte manter seus esforços bélicos"; foi então que o general Douglas MacArthur, notório saguinário (que posteriormente defendeu o uso de armas nucleares na península), decidiu dar início a sua "tática de terra arrasada".

Isso marcou o início da guerra total contra a Coreia do Norte. A partir desse momento, todas as cidades e vilarejos passaram a receber a visita diária dos bombardeiros americanos B-29 e B-52 e sua carga mortal de napalm, nome dado a um conjunto de líquidos inflamáveis. Ainda que MacArthur tenha caído em desgraça pouco depois, sua estratégia continuou a ser aplicada. Segundo Taewoo Kim, professor de Humanidades da Universidade Nacional de Seul, todas as cidades e vilarejos da Coreia do Norte foram reduzidos as escombros.

O general Curtis LeMay, chefe do Comando Aéreo Estratégico durante o conflito, declarou muito anos depois: "Aniquilamos cerca de 20% da população". Cálculos assim levaram o jornalista e escritor Blaine Harden, autor de várias obras sobre a Coreia do Norte, a qualificar como "crime de guerra" a ação militar americana.

As estimativas de pesquisadores dão conta que, nos três anos de guerra, foram lançadas 635 mil toneladas de bombas contra a Coreia do Norte. De acordo com Pyongyang, 5 mil escolas, mil hospitais e 600 mil residências foram destruídos. Um documento soviético redigido pouco antes do cessar-fogo de 1953 fala em 282 mil civis mortos pelos bombardeios.

É impossível confirmar esses números, mas ninguém nega a magnitude da devastação. Uma comissão internacional que percorreu a capital norte-coreana após a guerra atestou que não havia restado um único edifício que não tenha sido afetado pelo bombardeios. Enquanto o mundo inteiro estava atento à península coreana, temendo que os Estados Unidos e a União Soviética acabassem travando uma guerra nuclear, o então ministro de Relações Exteriores norte-coreano, Pak Hen En, denunciava na ONU o bestial extermínio de civis pacíficos pelos imperialistas. Seu relato contava que, para garantir que Pyongyang ficasse sempre cercada por incêndios, os "bárbaros transatlânticos" a bombardeavam com artefatos de ação retardada que detonavam de forma alternada, "impossibilitando que as pessoas saíssem de casa".

Infraestruturas essenciais, como barragens, usinas elétricas e ferrovias, foram sistematicamente atacadas. Taewoo Kim destacou que, "em todo o país, ficou impossível levar uma vida normal na superfície". As autoridades comandaram uma mobilização nacional para que fossem erguidos mercados, acampamentos militares e outras instalações sob a terra para que o país pudesse funcionar. A Coreia do Norte virou uma nação subterrânea e em permanente estado de alerta.

James Person diz que "toda a cidade de Pyongyang se mudou para debaixo da terra, e isso teve um tremendo impacto psicológico nos seus habitantes". O especialista explica que o medo persiste até hoje e a isso se deve o fato de que armazéns e instalações críticas continuem sendo mantidos em grandes profundidades.

Durante a noite, os norte-coreanos recrutados pelo Estado trabalhavam freneticamente para reparar as vias de comunicação e as usinas destroçadas pelas explosões durante o dia. O fruto desse trabalho causava surpresa e frustração no comando americano, que viam alvos de ataques sendo restaurados em pouco tempo. Às vezes, os meios de comunicação na coreia do norte recordam os cidadãos da enorme dor infringida pelos aviões estrangeiros. Tanto Kim Il-sung como seus sucessores Kim Jong-il e Kim Jong-un se apresentam como representantes da heróica resistência que livrou a nação de sucumbir à "agressão" estrangeira. Trata-se, nas palavras de Person, "de reforçar essa narrativa em que a Coreia do Norte mantém os americanos longe com sua grande defesa e sua capacidade de dissuasão".

Todos os traumas dessa guerra são mais que razões suficientes para explicar a posição do governo do norte na insistência em desenvolver um arsenal nuclear, apesar das constantes críticas internacionais. Repito aqui as palavras previamente citadas: "Estrangulamento é o ato que consiste em pressionar o pescoço interrompendo o fluxo de oxigênio para o cérebro, podendo levar a pessoa que sofre a ação à inconsciência ou mesmo à morte." Foi isso o que a operação planejada pelo Pentágono teve como meta e foi exatamente isso o que fizeram ao povo norte coreano, trouxeram morte, a mais 282 mil civis inocentes que foram aniquilados sem a mínima chance de defesa ou oportunidade de evacuar, e sim, trata-se de mais um repugnante crime de guerra promovido pelo EUA, que a humanidade não se importa ou sequer sabe sobre.

A divisão da península nunca foi resolvida definitivamente e o potente poderio militar que o Pentágono mantém na Coreia do Sul e no Japão explica por que a Coreia do Norte segue ainda sob uma espécie de estado de exceção permanente. A guerra e o fogo que choviam do céu fizeram da Coreia do Norte um Estado-bunker. Mais de 70 anos depois, isso não mudou. Por quê um país soberano não teria o direito de ter armas adequadas para garantir a sua própria defesa? O quê justificaria o impedimento de tal país decidir qual armamento deve ser usado para defender o seu povo e território? É importante lembrar que nações como EUA, Índia, Paquistão, Israel, França e Reino Unido já possuem armas nucleares, por quê a Coréia do Norte não pode desenvolver o seu próprio programa atômico? Seria como você ter uma determinada arma e impedir que qualquer outra pessoa também tenha uma igual, para apenas você continuar com tal poder de defesa ou ataque e mais ninguém, pois é isso o que países como os EUA fazem. Os EUA já fizeram até hoje 1085 testes nucleares e possuem 9,970 ogivas ativas*, mais do que qualquer outro país em toda a história. A Coréia tem razões históricas para buscar se defender de agressões externas, essas cicatrizes psicológicas, deixadas pela guerra, no povo norte coreano jamais serão apagadas, mas impedir que novas surjam é um obrigação moral do governo e algo absolutamente compreensível. Não sucumbir à pressão do império é o que mantém as mãos yankees longe dos pescoços norte coreanos, assim não mais estrangularão o povo como por três anos fizeram.


*Fonte: Federation of American Scientists, em "Status of World Nuclear Forces". Consultado em 1 de outubro de 2016.

Saturday, October 1, 2016

O sistema que só "funciona" para poucos.


Há mais ou menos 189 países capitalistas no mundo e os exemplos de prosperidade são sempre os mesmos 4 ou 5 paisecos com população pífia, economia pífia e área territorial insignificante. Eu chamo isso de forçação de barra, não sei vocês.

Mas alguém já se perguntou o motivo disso? Bom, para entendermos melhor esse cenário, vamos coloca-lo numa escala menor. Ao invés de falarmos de países, falaremos de pessoas. Sob o capitalismo, existem divisões sociais, essas classes separam os ricos dos pobres. O sistema precisa da garantia de sempre haver pobres, pois é essa a parcela da sociedade que produz e serve a minoria social que acumula riquezas. Não é bom que o números de pobres diminua, pois haverá cada vez menos gente para servir, sem serviçais não há produção, sem produção não há o lucro que gerará riqueza acumulada.

Com os países é a mesma coisa, não é bom que muitos países se desenvolvam economicamente pois isso atrapalharia o fluxo normal dentro do sistema capitalista, pois assim como há trabalhadores serviçais, há "países serviçais". Os países que servem devem continuar servindo ao mercado através de commodities (matéria prima para a fabricação de produtos de alta tecnologia) ou fornecendo produtos de baixo valor agregado, além de mão de obra barata. É importante que o sistema continue somente funcionando para poucos, pois assim a notória distribuição desigual de riquezas do sistema capitalista é perpetuada, e o substancial acúmulo de riquezas se restringe a poucos países. 

Porém é fundamental perceber que a história nos conta que os países economicamente desenvolvidos alcançaram a prosperidade aplicando receitas econômicas muito diferentes das que atualmente recomendam ao países em desenvolvimento. Tais países apontam o caminho errado a ser seguido para chegar ao desenvolvimento. Essas recomendações vem da OMC, do Consenso de Washington e do FMI. Acontece que a Inglaterra, a França, a Alemanha, ou o Japão, ente outros, aplicaram proteção tarifária e subsídios às suas indústrias antes de estarem de fato prontos para o, dito, livre mercado. O detalhe é que desde os anos 80, as recomendações feitas aos países em desenvolvimento são exatamente opostas ao que os países, hoje, ricos fizeram no passado. Sem condição alguma, muitos países do "Terceiro Mundo" aceitam abrir a sua economia, privatizar industrias estatais prosperas, acabar com barreiras e subsídios, etc. Seguem fielmente o que a OMC, o Consenso de Washington e o FMI recomendam; mas o desenvolvimento nunca vem, muito pelo contrário.

Quando o óbvio consequentemente aparece, essas organizações geralmente afirmam que as medidas tomadas não fizeram efeito porque algo como a falta de capacidade, ou falta de vocação, de um determinado país para a economia de mercado (para não citar uma "falta de espírito empreendedor", ou "herança cultural", até mesmo uma "população com baixo QI") foi determinante. Jamais reconhecem o fracasso de suas recomendações, vendidas como "remédios", mas sempre mostrando feito de veneno. É até possível citar uma exceção em meia a tanta canalhice; na edição de junho de 2016 da revista Finance & Development, há um artigo proveniente de um dos maiores defensores do neoliberalismo, o Fundo Monetário Internacional (FMI); artigo esse, de autoria de três economistas da instituição, reconhecendo que o receituário neoliberal, prescrito pelo próprio FMI para nortear o crescimento econômico sustentável em países em desenvolvimento, pode ter efeitos nocivos de longo prazo, dado que, em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade, colocando em risco uma expansão econômica duradoura, isto é, prejudicando o nível e a sustentabilidade do crescimento. O que, na verdade, só reafirma que as recomendações feitas pelo FMI não devem ser seguidas.

Se a corrente de subserviência não for quebrada pelos “países serviçais”, nada mudará.
Cada país precisa seguir o seu caminho para resolver o seus problemas internos. Para finalmente se desenvolverem economicamente, os países pobres devem recusar o modelo de ajuda econômica internacional, que nunca funcionará satisfatoriamente; depois precisam garantir que as instituições públicas locais sejam desburocratizadas; além de integrar os mais pobres num único sistema econômico formal, gerando registros de propriedade que podem ser convertidos em capital. 


Garantir a existência de um único sistema formal legalizado de propriedade é um passo importante para superar a secular burocracia e ao mesmo tempo melhorar o padrão de vida da maioria social nos países em desenvolvimento. Pois é tirando milhões da informalidade que será possível a geração de capital formal, o que consequentemente movimentará milhões na economia local, aquecendo muitos setores da economia e melhorando o padrão de vida dos mais pobres. É isso o que invariavelmente vemos nos tais 4 ou 5 paisecos com população pífia, economia pífia e área territorial insignificante que sempre são citados por aí como grandes exemplos de sucesso do capitalismo, mas que nunca deram ouvidos ao que a OMC, o Consenso de Washington e o FM tem, ou tiveram, a dizer. Assim, podem fazer parte da minoria para a qual o sistema “funciona”.

Tuesday, March 15, 2016

Uma máquina de zumbis chamada Hollywood


Charge de Pedro Leite

Hollywood é a maior máquina de propaganda que a raça humana já viu, e essa máquina é a grande ferramenta ideológica do imperialismo. Se quiseres ter tua própria opinião e buscar sempre a verdade, então rejeite festivais ou prêmios corporativistas como o Oscar; Hollywood faz mal ao teu intelecto. A arte deveria ser algo puro que mexesse com cada pessoa de uma forma especial, afinal, arte não é (ou não deveria ser) mercadoria. Talvez você já tenha percebido, o maior veículo de propaganda pró-EUA é justamente Hollywood; quase todo o filme, por pior que ele seja, sempre alguma mensagem subliminar aparece em momentos importantes da trama, como alguma bandeira dos EUA visível aos espectadores, ou algum outro óbvio símbolo do país sendo mostrado como a representação do bem que salva a humanidade da tragédia ou de alguma grave ameaça. O imperialismo cultural é uma questão estratégica para os EUA, por isso a política domina a arte em Hollywood.

Os EUA sempre agiram com extrema intolerância para garantir que a sua doutrinação permaneça forte em seu território. A indústria cultural sempre foi um veículo muito utilizado para doutrinar. Todos são induzidos a venerar os valores dos EUA, o “American way of life”, o capitalismo ou o militarismo. Até no processo burocrático para conceder o visto de residente no país, qualquer pessoa que pleteie tal permissão terá que jurar não ser membro de um Partido Comunista, nem ter simpatias anarquista ou defender intelectualmente alguma organização considerada “terrorista”. Se a pessoa responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”. Vigiar incessantemente a “moral” do povo ainda é uma tarefa importante para os EUA, desde os tempos do macartismo. O Comitê de Atividades Anti-Americanas do Congresso, liderado pelo senador Joseph McCarthy promoveu uma verdadeira caça às bruxas na busca por pessoas ou obras subversivas. 

Com a ascensão do macartismo nos Estados Unidos, diversos atores e músicos foram perseguidos e acusados de serem comunistas. O ator e diretor britânico Charles Chaplin foi uma das pessoas que sofreram duramente com o macartismo. Por seu posicionamento político, Chaplin foi incluído na Lista Negra de Hollywood. Acusado de propagar a ideologia comunista e criticar o capitalismo em seus filmes, foi expulso dos Estados Unidos e teve seus bens materiais todos confiscados pelo governo. Outras pessoas que sofreram com o macartismo tiveram um fim trágico, muitas se suicidaram e outras ficaram na absoluta miséria. E essa política estérica não se restringiu apenas à industria do entretenimento. No ano de 1950, o físico inglês Klaus Fuchs, membro da equipe dos Estados Unidos que pesquisava a energia atômica, foi duramente perseguido pelo FBI. A perseguição ocorreu quando se descobriu que o físico era membro do partido comunista – o governo norte-americano acusava-o de repassar informações para os soviéticos.

A Lista Negra de Hollywood foi uma lista mantida pela indústria do entretenimento estadunidense com nomes de roteiristas, atores, diretores, músicos e demais artistas para boicotar simpatizantes do Comunismo e negar-lhes emprego. Para entrar na lista bastava defender ideias de esquerda entre conhecidos. Muitos membros da lista foram acusados por colegas, e alguns, comprovadamente sem ligações ao comunismo soviético. A lista arruinou a carreira de muitos profissionais e colaborou para moldar o sentimento anti-comunista no público. O cineasta turco, radicado nos EUA, Elia Kazan ficou conhecido por denunciar grande parte dos que integraram a lista, posteriormente ele recebeu uma medalha do governo estadunidense por serviços prestados ao país. Sobre ele, Orson Welles teria dito: "Kazan trocou a alma por uma piscina".


O filme A Ponte do Rio Kwai foi baseado no romance do francês Pierre Boulle Le pont de la rivière Kwai de 1952. Os autores do roteiro, Carl Foreman e Michael Wilson, estavam na "lista negra" de Hollywood, acusados de pertencer a organizações comunistas, pelo que tiveram de trabalhar secretamente, e sua contribuição não foi credenciada na primeira versão. Por essa razão, o prêmio Oscar ao melhor roteiro adaptado foi concedido unicamente a Pierre Boulle, autor do romance original, que nem sequer falava inglês. O filme Argo narra um fato secundário da Revolução Iraniana a fim de exaltar o papel dos EUA que foram humilhados no processo real. O canastrão Ben Affleck, como diretor, fez um filme de propaganda que distorce os fatos em sua tentativa de apresentar o agente da CIA Tony Mendez como a pessoa que trabalhou nos bastidores para realizar uma fuga. Na época, em uma entrevista para o jornalista Piers Morgan, o ex-presidente Jimmy Carter, afirmou que “90% do plano foi dos canadenses”, mas o filme “dá crédito quase completo à CIA”. Em vez de apresentar um relato honesto de uma missão de resgate, que o embaixador canadense tinha em grande parte planejado e que a CIA só ajudou a executar, Affleck corrompeu a verdade, dando primazia ao envolvimento dos EUA. Ken Taylor afirmou “Tony Mendez ficou um dia e meio no Irã”; Taylor é o ex-embaixador canadense no Irã que realmente arquitetou a fuga dos seis reféns que ele e o primeiro-secretário da embaixada John Sheardown haviam escondido em suas casas. Com “Argo”, um claro exercício de ufanismo estadunidense e imperialismo cultural, Affleck cometeu uma séria fraude. Obviamente não é preciso informar que o filme ganhou um Oscar.


A industria cinematográfica nos EUA, de forma geral, é usada como ferramenta de propaganda que forma ao redor do mundo um verdadeiro exército de zumbis, pois zumbi algum é capaz de raciocinar, de refletir, ou emitir a sua própria opinião. Se isso acontecesse, questionariam o conteúdo propagandista subentendido na maioria dos filmes. Quem não conhece a história pode até achar que os EUA venceram a Guerra do Vietnã, como narra a série Rambo; já no terceiro filme, os Talibãs chegam a ser chamados de "heróis da liberdade" por lutarem contra os soviéticos (vide foto abaixo). Os filmes de western fazem você odiar as vítimas e torcer pelos verdadeiros vilões, pois na vida real não foram os índios que invadiram terras, escravizaram nativos e promoveram genocídios na América do Norte. Hollywood faz mal ao teu intelecto.

Sim, a foto mostra Osama Bin Laden

Saturday, March 5, 2016

O imperialismo nunca escutou a voz de um povo.


Pense um pouco e conte quantas revoluções populares desde o fim do séc. IX não foram abraçadas pela esquerda? Não é a direita que sente a dor de um povo e ouve a sua voz suplicando por mudanças. Kim Il Sung se tornou líder na Coréia, e não apenas no norte, por ser o único líder da resistência antijaponesa que sobreviveu na luta por uma Coreia independente; quem lutou pela formação de uma Coreia unida e livre sempre foram os socialistas, desde os tempo de ocupação japonesa na península.

O imperialismo nunca escutou a voz de um povo, o curso natural da história levaria a uma Coreia socialista e unida, mas os EUA mudaram esse curso, de acordo com as suas conveniências e nada mais. Vejamos que o Japão invade a península coreana e ocupa a região de 1910 a 1945 transformando-a em uma colônia. Esse período foi marcado por muita opressão ao povo nativo, nessa época nasceu o movimento de resistência contra a ocupação japonesa na Coreia que era basicamente formado por socialistas e nacionalistas, entre eles estava Kim Il Sung. Com a derrota na Segunda Guerra e a sua oficial rendição no dia 2 de setembro de 1945, o Japão perdeu todos os seus territórios conquistados. A guerrilha socialista antijaponesa e os movimentos nacionalistas da Coreia criaram Comitês Revolucionários por todo o país, os quais se reuniram em assembleia em Seul e proclamaram a República Popular da Coreia em 6 de setembro de 1945. Dois dias depois, os americanos desembarcaram e ocuparam o sul da Coreia, enquanto dissolviam os Comitês, efetuavam prisões e traziam dos EUA Syngman Rhee para formar um governo apoiado por notáveis pró-japoneses. Rhee rapidamente organizou esquadrões da morte para eliminar ou intimidar os políticos rivais. No norte, manteve-se então a República Popular, liderada pelo jovem comunista Kim Il Sung, e foi implementada uma reforma agrária que consolidou o apoio ao regime. Uma comissão da ONU declarou Syngman Rhee governante do sul, apesar da violência política. Três anos após a divisão da península coreana (sul capitalista e norte socialista) muitas revoltas populares eclodiram no sul, reivindicando a unificação. Os líderes pró-unificação foram assassinados pela polícia do sul. Em 1948, eclodiram revoltas populares nas províncias sulistas de Yosu e Cheju Do, e líderes moderados pró-unificação foram assassinados, ao passo que os soviéticos, se retiravam do norte, como era previsto nos acordos feitos com o ocidente.

Já em 1950, tropas do sul alegaram ter tomado a cidade de Haeju, no oeste, cruzando a fronteira. Tal ação gerou um combate de larga escala por toda a fronteira, mostrando que foi o Sul que começou a guerra. Nos primeiros meses de 1950, Syngman Rhee tinha ordenado massacres e, posteriormente, crimes de guerra contra cidadãos suspeitos de serem comunistas ou simpatizantes; esses episódios ficaram conhecidos como massacres das Ligas Bodo. Documentos oficiais dos EUA relatam testemunhos de oficiais estadunidenses que presenciaram e fotografaram os massacres. Um episódio, após o início do conflito Norte Sul, foi relatado à Washington, pelo general Douglas MacArthur, no entanto não houve nota oficial da Casa Branca sobre o assunto. A reação do lado norte foi tentar acabar de uma vez por todas com os massacres e consequentemente reunificar a Coreia.

É preciso saber que o povo coreano nunca desejou a divisão do país, mas desde a Conferência de Potsdam, após o fim da Segunda Guerra, os Aliados decidiram, unilateralmente, dividir a península coreana. Os EUA não cumpriram com o acertado na Conferência de Moscou, em 1945, que era permitir a formação de um único governo livre para a Coreia. O veterano diplomada estadunidense George F. Kennan, que estava servindo na embaixada de Moscou, observou em loco, com preocupação, a postura do secretário de Estado dos EUA, James Byrnes, e escreveu no seu diário: "As realidades por trás deste acordo, uma vez que dizem respeito apenas aos coreanos, romenos e iranianos, sobre os quais ele não sabe nada, não dizem respeito a ele. Ele quer um acordo para o seu efeito político em casa. Os russos sabem disso. Eles vão ver que para este sucesso superficial ele paga um preço alto nas coisas que são reais ". Os coreanos foram excluídos de todas as negociações; por isso o norte não se conformou com a divisão arbitrária, contra a vontade do próprio povo coreano, e buscou a reunificação da Coréia.

Com a tomada de Haeju, o norte decidiu responder com a Operação Pokpoong, que contou com 200 mil homens. As tropas do norte cruzaram a fronteira no dia 25 de junho; dois dias depois Syngman Rhee ordenou a evacuação da capital Seul. O avanço rápido das forças norte-coreanas para sul deve-se apenas em parte a razões militares. É, em certo sentido, consequência da falta de apoio popular que o regime de Syngman Rhee tinha. Segundo relata o livro "South to the Naktong, North to the Yalu" (1961), de Roy E. Applemanb, o exército sul-coreano “desintegrou-se”, havendo deserções em massa. Em 28 de junho as tropas do norte tomam a capital do sul, onde 48 integrantes do congresso nacional, declararam lealdade aos socialistas. Temendo que mais tarde os chineses e o soviéticos pudessem intervir militarmente em favor do norte, fazendo com que o conflito tomasse maiores proporções, os EUA entram de vez na guerra. Porém, em 27 de junho, os russos haviam enviado um comunicado indireto dizendo que não interfeririam no conflito da Coreia, abrindo assim uma brecha para os EUA intervirem com tropas sob a bandeira da ONU, para não haver reação das demais potências do mundo comunista. Mas em 18 de outubro de 1950 a China envia 300 mil soldados para a Coreia como resposta a "agressão americana sob o disfarce da ONU".

O conflito durou até 1953, como uma queda de braço onde não se aponta o vencedor. Porém, apesar de milhares de mortes, tudo voltou como era antes de 25 de julho de 1950, com um povo divido contra a sua vontade, uma terra arrasada e repartida, exatamente como os imperialistas sempre quiseram. O imperialismo nunca escutou a voz de um povo. O Norte ficou relegado justamente à porção de terra da península menos fértil, pois a maior parte do solo da região é rochoso, impróprio para a agricultura e durante o rigoroso inverno não é possível colher quase nada do que se produz. Enquanto o norte tinha que superar sozinho os seus desafios, o sul tinha uma realidade menos dura contando com a ajuda externa dos EUA. Os capitalistas do sul receberam como forma de "donativo" mais de 3100 milhões de dólares, apenas entre 1945 e 1961. O valor foi o dobro do que foi recebido pelo trio Bélgica/Luxemburgo/Holanda durante o Plano Marshall, mais de um terço do que a França recebeu e mais de 10% do que a Grã-Bretanha obteve; os "donativos" recebidos pelo sul, entre 1945 e 1961, foram superiores ao total dos empréstimos concedidos pelo Banco Mundial ao conjunto dos países em desenvolvimento, que conquistaram a independência. E isso foi só o começo da ajuda ao sul. Mas o quê o ocidente reservou ao norte? Nada além de canções econômicas e calunias midiáticas. Por quê? Porque o imperialismo nunca escutou a voz de um povo.

Sistema e Babilônia


Há milhões de pessoas pelo mundo que são absolutamente críticas aos sistema capitalista, elas não tem lá muito em comum, estão espalhadas ao redor do planeta, mas vêem no seu dia a dia que o referido sistema é prejudicial à humanidade. Há grupos que tem críticas específicas, interpretações próprias, razões de diferentes naturezas. Os Hippies, por exemplo, foram contra o capitalismo em vários aspectos e pela natureza pacifista do seu ideário, eles eram especialmente contra a vertente militarista do sistema. Os Punks sempre tiveram uma postura mais protestante e agressiva, especialmente se compararmos aos Hippies, e assim como todo anarquista, os Punks sempre foram contra a noção de Estado, propriedade e nação. Quase parecido com as intenções anarquistas, a base política dos Punks, o comunismo critica o capitalismo e também almeja um mundo sem fronteiras, sem classes sociais, sem distinção de etnia, gênero, orientação sexual entre os povos do mundo. Há também a religião Rastafari, movimento que conserva elementos do judaísmo e do cristianismo, nascido na Jamaica do século XX. Os adeptos da religião Rastafari reverenciam a figura de Haile Selassie I, imperador da Etiópia, de 1930 a 1974, como a encarnação do Messias e pregam a adoração do deus Jah, sendo portanto, o próprio Selassie o seu deus na terra.

A questão rasta envolve a sua própria fé na crítica aos sistema capitalista. Essa religião afirma que o povo escravizado nas Américas são os verdadeiros filhos de Israel e precisam despertar essa consciência para voltarem à África, onde está o Monte Sião, "Zion", o paraíso na terra. É por isso que os rastas procuram se manter longe da escravidão, ou seja, do sistema capitalista; pois foi isso que vitimou gerações do povo de Jah na opressão de uma terra distante, escravizadas, longe de "Zion". Não apenas por questões religiosas, mas também como forma de defesa, os rastas seguem um modo de vida longe do capitalismo: se vestem à sua maneira, não cortam o cabelo e evitam aparar a barba, seguem uma dieta quase vegetariana (e nada industrializada), preferem tratamento com ervas medicinais e abdicam de qualquer droga. Em muitos países a maconha é ilegal, mas para os rastas a erva é consumida como fonte de iluminação. O consumo segue um ritual: um grupo se reúne, reza em agradecimento a Jah e só então fuma a planta, que é considerada sagrada.

Percebemos uma interpretação religiosa dos males do capitalismo; anarquistas e comunistas não discordam que o sistema capitalista é escravista, mas a visão rasta se embasa na sua fé. Não há como negar toda a história de um povo, é impossível não entender a posição rasta que, naturalmente, condena a ganância, a exploração e o materialismo que resultou em séculos de comércio escravista na África, condenando inocentes à pena perpetua de escravidão longe da sua terra natal. A fé rasta indica que para chegarem ao paraíso,  os rastas devem rejeitar a sociedade capitalista, a qual chamam de "Babilônia", que é vista como impura e corrupta, um reino em rebelião aos ditames de Jah, o criador. Portanto, não importa se você chama de sistema, ou de Babilônia, a referência é feita para o mesmo mal, o capitalismo. "Babylon must fall"!